História!!!

sábado, 6 de junho de 2009

Discutindo a Cidadania

O CIDADÃO DE PAPEL

Quando andamos pela cidade, encontramos diariamente meninos de rua. Alguns não fazem nada.Outros estão lavando ou cuidando de carros. São engraxates ou vendedores de balas nos semáforos.
Esta cena se tornou tão comum que nem chama mais a atenção. Prepare-se,
agora , para uma pergunta que vai parecer maluca: Existe algo de comum entre você e o menino de rua?
Certamente veio à sua cabeça a imagem de um menino dormindo na rua, apanhando da polícia. Usa roupas velhas, está descalço, magro e sem tomar banho ou escovar os dentes. E aí , você vai achar a pergunta maluca mesmo. Afinal, você tem casa, come três vezes por dia, passa as férias na praia ou no campo.
Suspeito que a pergunta pode lhe parecer tão boba que você já pensou em largar esta leitura. Mas se você se der ao direito de ter dúvida, vai descobrir muitas coisas. Verá que, para ter resposta, precisará olhar não apenas para as ruas, mas dentro de sua própria casa, Até dentro de seu quarto.
Nota-se a ausência de cidadania quando uma sociedade gera um menino de rua. Ele é o sintoma mais agudo da crise social. Os pais são pobres, já que não arrumam bons empregos. E aí , seus filhos também não terão condições de progredir .
Cidadania é o direito de ter uma idéia e poder expressa-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É processar um médico que comete um erro. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É o direito de ser negro sem ser discriminado, de praticar uma religião sem ser perseguido.
Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania : respeitar o sinal vermelho no trânsito, não jogar papel na rua, não destruir telefones públicos . Por trás desse comportamento está o respeito à coisa pública.
O direito de ter direitos é uma conquista da humanidade.
Foi uma conquista dura. Muita gente lutou e morreu para que tivéssemos o direito de votar. Lutou-se pela idéia de que todos os homens merecem a liberdade e de que todos são iguais diante da lei.
Gilberto Dimenstein